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Cultura

De hipódromo a Copa do Mundo: as quatro casas do futebol amazonense

Parque Amazonense, Colina, Vivaldão e Arena da Amazônia: os palcos do futebol em Manaus e os times e craques que fizeram cada um deles valer a pena.

Por Redação

Ilustração em estilo pôster retrô, com moldura de papel envelhecido, mostrando da esquerda para a direita um antigo hipódromo com arquibancada de ferro e estátua de cavalo, uma colina com casas e palmeiras, um estádio de concreto com refletores e uma arena moderna de cobertura metálica; ao fundo, céu alaranjado de fim de tarde e o rio Negro escuro em primeiro plano
Ilustração gerada por IA: AmzLive (Magnific/flux-2)

Manaus já teve quatro casas para ver futebol, e a primeira era um hipódromo. Do Parque Amazonense à Arena da Amazônia, a cidade passou de uma arquibancada de ferro em volta de uma pista de cavalos a um estádio de Copa do Mundo. Cada mudança levou junto um time, um craque e histórias que a torcida repete até hoje.

Parque Amazonense: o futebol aprendeu a torcer no hipódromo

O terreno atrás do Reservatório do Mocó virou hipódromo em 1906; só em 1918 o Dispensário Maçônico ergueu ali um estádio, o primeiro do Amazonas a receber jogos do Campeonato Amazonense. Em maio daquele ano, na festa de inauguração, o Nacional empatou em 1 a 1 com o Combinado Paraense — e a cabeça de cavalo no arco de entrada ficou de lembrança.

O time da época era o Nacional, pentacampeão estadual entre 1916 e 1920. O craque era Marcolino, apontado pela Associação Comercial do Amazonas como o primeiro jogador do Brasil a fazer gols de bicicleta, em 1923. O Parque também guardou um vexame: em 1959, o Fluminense de Castilho e Pinheiro aplicou 11 a 1 no Nacional. Os portões fecharam em 1973; o estádio foi demolido em 1980.

Colina: a inauguração terminou 8 a 1 contra o dono da casa

O campo do São Raimundo existia desde pelo menos 1952. Em 27 de abril de 1958, o time venceu o Princesa Isabel por 2 a 0 no jogo tido como inaugural, com o primeiro gol de Santarém. Em 1961 vieram as arquibancadas e a festa de inauguração, com o Sport Recife convidado — e deu 8 a 1 para os pernambucanos.

O craque é o mesmo Santarém, o “Tanque da Colina”: 15 temporadas, entre 1957 e 1971, 110 gols e a artilharia de 1964, com 13. Em 9 de agosto de 1968, Pelé veio com o Santos: a Colina lotou às 17h para um jogo às 21h, e 17 mil pessoas viram o Fast perder por 3 a 0. O recorde de público é de 1969: 23.152 pagantes num 0 a 0 entre Nacional e Rio Negro.

Vivaldão: a tarde em que a Seleção veio cortar a faixa

Em 5 de abril de 1970, o Vivaldo Lima foi inaugurado com dois jogos entre as seleções A e B do Brasil e combinados do Amazonas: 4 a 1 nas duas, com os quatro gols do time B de Dadá Maravilha e os presidentes da Fifa e da CBF na tribuna.

O time da casa foi o Fast de 1970 e 1971, apontado como o melhor da história do clube. Em 1980, o Cosmos — já sem Pelé, mas com Beckenbauer e Carlos Alberto Torres — empatou em 0 a 0 com o Fast, diante de 56.950 pagantes: recorde que ninguém superou.

Arena da Amazônia: a Copa, o recorde e o primeiro título

Inaugurada em 9 de março de 2014, com 20 mil pessoas e R$ 669,5 milhões, a Arena recebeu Nacional 2 a 2 Remo e quatro partidas da Copa do Mundo: Inglaterra x Itália, Camarões x Croácia, Estados Unidos x Portugal e Honduras x Suíça.

O maior público da casa não veio do Mundial: 44.896 pessoas na final da Série D de 2019, Manaus x Brusque, que o time da casa perdeu nos pênaltis. Em 2023, 44.509 viram o Amazonas subir para a Série B; meses depois, o clube fundado em 2019 conquistou a Série C, o primeiro título nacional do futebol amazonense, com Sassá artilheiro.

O concreto subiu, o jogo desceu

Agora a piada pronta: em 2025, a final do Amazonense entre Amazonas e Nacional levou 6.811 pessoas à Arena — número tratado como bom num campeonato de estádios vazios.

Nunca se investiu tanto em estádio em Manaus. Saímos da arquibancada de ferro do Prado para a cadeira numerada, do campo sem muro para o gramado de padrão Fifa. E, enquanto a infraestrutura subia, o futebol — dizem os mais velhos — descia a escada. Pode ser saudosismo. Difícil é explicar uma cidade com casa nova, 44 mil lugares e 6,8 mil na final. A bola é a mesma; o entorno virou evento — e o evento, às vezes, esquece de chamar o futebol.

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